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No reino da Dinamarca

Terça-feira, 26.01.16

As minhas viagens realizaram-se através dos filmes e dos livros. Digamos que da família sou a menos viajada. Construí uma imagem dos países e das regiões através do Atlas e dos seus escritores e realizadores.


É assim que conheço bem a geografia das montanhas e das planícies da América, a costa escarpada e a relva pontilhada de pedras da Irlanda, as árvores muito antigas em campos muito verdes da Inglaterra, as casas francesas com jardins onde há sempre uma mesa à espera da família e dos amigos, os palazzos italianos e as estradas ladeadas de ciprestes, os subúrbios das cidades e os pueblos de Espanha.


A geografia da alma também se revela através dos escritores e realizadores.

A Suécia, por exemplo, é para mim a Suécia de Ingmar Bergman: limpa, fria, minimalista, sóbria até nas emoções, mesmo que rodeada de flores no Verão. A beleza da sua alma está na revelação da verdade sem rodeios. E bastam duas ou três frases para dizer tudo. Ou apenas um gesto, ou uma expressão facial. Liv Ullmann é o seu rosto.

Mas a Dinamarca, a Dinamarca para mim é a Dinamarca de Hans Christian Andersen.

 

 

De que matéria é feito o primeiro - ministro desse reino da Dinamarca que propôs a lei da espoliação dos que fogem da guerra? Será que este exemplar é uma parte da geografia da alma da Dinamarca? É que não vi nenhum movimento de dinamarqueses revoltados com esta lei.


Espero que os refugiados consigam mudar a rota da sua travessia ao frio e à neve, que se consigam desviar desse reino onde já não há alma nem coração.

 

 

Post publicado n' A Vida na Terra.

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 20:39

Eleições presidenciais 2016: como distinguir a personagem da pessoa real?

Terça-feira, 12.01.16

Aqui iniciei a minha análise do perfil de Presidente que considerei ser o mais adequado à nossa situação actual.

Aqui revelei a minha alegria (e um certo alívio) com a candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa.

E aqui comecei a analisar a campanha eleitoral, os debates na televisão, o comportamento dos candidatos.

 

E agora vamos então à forma de distinguir uma personagem de uma pessoa real:

1. A interacção: quando estamos perante uma personagem não nos sentimos à vontade, sente-se um espaço entre nós, uma barreira invisível, o olhar não é caloroso, acolhedor, não nos fita nem nos envolve, não há empatia nem proximidade; quando estamos perante uma pessoa real sentimos-nos imediatamente à vontade, o olhar sorri e acolhe-nos, há uma empatia e proximidade, identificamo-la como um de nós, como um velho amigo que voltamos a encontrar.

2. A mensagem: quando ouvimos a mensagem de uma personagem não há ressonância com a nossa vida, com o nosso quotidiano, não é para nós que está a falar, não há verdadeira comunicação, é como um actor num palco; quando ouvimos uma pessoa real falar sentimos uma ressonância com a nossa vida do dia a dia, fala connosco, há empatia e comunicação.

3. Os apoiantes: o grupo de suporte e de referância diz muito de uma personagem pois, tratando-se a personagem de uma construção, é o grupo que na realidade exerce influência e poder, a personagem molda-se a essa influência e poder, como um actor se molda ao guião, não há pensamento próprio; a pessoa real pode ter apoiantes mas não são eles que definem o seu pensamento, pode ouvi-los e trocar ideias, mas é autónomo.

 

E pronto, espero ter descrito as principais diferenças entre os candidatos. Não se trata, portanto, de ser de esquerda ou de direita, mas sim de perfil e de papel.

A escolha será entre uma personagem e uma pessoa real, qual é que preferem?

A escolha será entre a ambição de mais poder e o equilíbrio de poderes.

A escolha será entre o poder dos bastidores e o poder do seu exercício.

 

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 12:51

Eleições presidenciais 2016: quem perde com os debates?

Sexta-feira, 08.01.16

Como já disse aqui, estou a acompanhar os debates presidenciais com atenção e interesse. E como também disse, um candidato pode representar mas não todo o tempo. Há momentos fugazes em que se revela. E aí vamos compondo o puzzle.

 

Já ouvi vários comentadores referir que Marcelo Rebelo de Sousa não assume nestes debates uma posição firme, que se mostra sempre simpático e sorridente, a cumprimentar os adversários. E mais, que o debate a sério só começou ontem, com Sampaio da Nóvoa. Discordo. Se aquelas agressões de Sampaio da Nóvoa e de Clara de Sousa foram o desafio para um debate, então não sei o que é um debate, pois mais parecia um interrogatório. Mais parecia um interrogatório em que quem pergunta já sabe a resposta. Clara de Sousa para Marcelo: Vai ser um presidente herbívoro ou carnívoro? Como Marcelo não responde, porque esta pergunta não tem resposta, insiste: Vai haver sangue? Incrível, mas foi o que percebi. Mais à frente: O que responde a esta acusação ( de Sampaio da Nóvoa) de que gosta de se ouvir a si próprio? E tudo neste estilo inquisitório.

Sampaio da Nóvoa às tantas acusa Marcelo de ser anti-democrático por não concordar com as despesas de algumas campanhas presidenciais. Está tudo dito. Insiste também na tecla que todos sabiam que já tinha decidido há muito que se iria candidatar, ao que Marcelo questiona Todos quem?, Todos nós. Perante esta insistência Marcelo pergunta Mas sabe como? Estava dentro da minha cabeça?

Aos comentadores que acham que esta amostra é um exemplo de debate, eu digo que isto é apenas uma agressão verbal para ver se conseguem colocar Marcelo à defesa. Mas a questão essencial é: à defesa de quê? De acusações como ser um solitário por não ter apoios políticos na campanha?, de falar para si próprio?, de ter sido comentador político? Pelo meio, ainda tivémos o tema do aborto, das barrigas de aluguer, e outros temas do género. 

 

É aqui que introduzo a pergunta do título do post: quem perde com os debates?

Debate, segundo o "Novo Dicionário Compacto da Língua Portuguesa, António de Morais Silva, Editorial Confluência, 6ª ed., 1990, vol. II": s.m. Discussão; disputa; altercação; contenda. // Combate; peleja. // Pl. Duelo de alegações pró e contra da defesa e da acusação em tribunais judiciais. // Discussões no parlamento entre membros de diversas facções.

Neste debate Marcelo - Sampaio da Nóvoa, o debate foi levado à letra, de facto mais parecia um tribunal: O senhor é herbívoro ou carnívoro? Vai haver sangue?... Então e o que pensa da barriga de aluguer?, assim de chofre, e o aborto?

Entendido o debate como "discussão, disputa, altercação, contenda, combate, peleja", ou "duelo de alegações pró e contra da defesa e da acusação", ou "discussões entre membros de diversas facções", perde quem prefere a troca de ideias.

Entendido o debate como troca de ideias e esclarecimento dos eleitores sobre essas ideias, sobre o percurso do candidato, sobre a sua interpretação do papel de Presidente e da Constituição, perde quem prefere o duelo.

 

 

 

 

Sampaio da Nóvoa não respondeu à pergunta de Marcelo: De que lado estava no 25 de Novembro? Mas esta pergunta é que é verdadeiramente essencial. Porque tem a ver com a Constituição, a base fundamental do papel do Presidente. O mesmo seria perguntar: Qual é a Constituição em que acredita?, a de 76 ou a actual, de 82?

 

Persiste na cultura portuguesa um gostinho pela perseguição, o assédio moral, o bullying. Veja-se nas praxes. É a linguagem do poder. A justiça do pelourinho.

É por isso que me dediquei no Vozes_Dissonantes a procurar os vestígios de um Portugal antigo, da amabilidade, da colaboração, da comunidade. Um Portugal universal, tolerante, de equilíbrios.

 

Dos debates presidenciais até hoje, apenas dois candidatos revelaram poder vir a exercer o papel de Presidente nessa cultura da amabilidade, colaboração, tolerância e de equilíbrios: Marcelo Rebelo de Sousa e Maria de Belém. A haver segunda volta, que seja com estes dois. 

 

 

  

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 12:05

Eleições presidenciais 2016

Terça-feira, 05.01.16

Tenho acompanhado a maior parte dos debates televisivos com os candidatos a Presidente. Há quem diga que os debates são muito maçadores e que não vão alterar a escolha dos eleitores. No meu caso, têm sido muito divertidos e esclarecedores.

Há perfis para todos os gostos. E mesmo que saibamos que a tendência de qualquer candidato é dar a melhor imagem de si mesmo, é impossível representar todo o tempo. Há momentos fugidios em que se revelam na sua autenticidade. É preciso estar muito atento para os apanhar.

 

Aqui já tinha referido qual o perfil ideal de Presidente, sobretudo na actual situação do país. Portanto, no meu caso, é só perceber quem corresponde ao perfil que aí considerei. Interessante é perceber que uma pessoa pode ser perfeita para um lugar numa determinada circunstância. Sim, é Marcelo Rebelo de Sousa

 

Surpresas positivas dos debates: Maria de Belém e Marisa Matias, as duas mulheres. Maria de Belém pela sensatez e organização. Marisa Matias pela sua vivacidade e coragem.

Maria de Belém daria uma boa Presidente numa situação estabilizada do país, o país mais animado, mais alegre, mais optimista. Não é o caso.

Marisa Matias pode vir a ser uma boa Presidente daqui a alguns anos. E, do mesmo modo, com o país numa situação económica e social normalizada. Esperemos que isso venha a ser o nosso futuro daqui a uns anos. 

 

Prémio de consolação: mesmo considerando que há candidatos com mau feitio e um ou outro mesmo torcidinho, os nossos comportam-se de um modo muito mais civilizado do que os candidatos americanos.

 

Sim, os trunfos de Marcelo são a força do sorriso e o afecto. Marcelo, o Conciliador.

 

 

 

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 16:06

2016: para um novo consumidor uma nova economia

Sexta-feira, 01.01.16

O consumidor está a tornar-se cada vez mais exigente, o que implicará mudanças ao nível do marketing das empresas. Será inevitável.

Pegando no exemplo das telecomunicações, que parece ser a área com mais reclamações, podemos identificar já algumas:

- o marketing agressivo não convence: incomodar os potenciais clientes e obrigar os empregados ou estafetas (em todo o caso é subemprego) a bater às portas;

- propostas tentadoras aos novos clientes que vão chocar com as condições do tarifário dos clientes em período de fidelização;

- informação pouco clara sobre as taxas incluídas no contrato: o exemplo mais flagrante foi prolongar os custos da instalação, a ser incluídos na factura durante o período de fidelização, a partir desse prazo, o que é fraude ou simples roubo;

- o próprio período de fidelização, que obriga o cliente a manter-se durante 2 anos numa operadora.

Na AR já se debateu o tema sobre o período de fidelização e sobre o prolongamento do pagamento dos custos da instalação. Esperemos que daí resulte alguma protecção para o consumidor. 

 

O novo marketing é inteligente. A inteligência é criativa e gosta de surpreender positivamente. Em vez de invadir o espaço do potencial cliente, surpreende-o no espaço adequado, que hoje é a internet. Um site bem organizado, apelativo, que disponibiliza toda a informação, que recolhe as opiniões dos clientes, que responde a essas questões, que facilita o contacto e não deixa ninguém pendurado ao telefone, etc..

O novo marketing respeita o cliente: um novo cliente vale tanto como um cliente fidelizado, se tem direito a bónus, os restantes também têm. É o princípio da equidade e da noção da grande comunidade (os seus clientes).

O novo marketing baseia-se na confiança. E essa condição básica conquista-se com uma informação clara e verdadeira. Informação é, aliás, o trunfo do novo marketing, apoiar os seus clientes em todas as situações previstas, mesmo a informação especializada.

O novo marketing não exige período de fidelização, embora procure fidelizar os clientes. Esse é o seu grande desafio.

 

Das operadoras de telecomunicações passamos para a EDP: o preço da energia deveria ser revisto. Assim como o IVA.

Caso isso não seja possível, facilitar às famílias o investimento em energias renováveis: solar e eólica. Aqui o papel das autarquias vai ser fundamental. Apoiar a eficiência e a autonomia energéticas. 

Aliás, veremos reforçar o papel do poder das autarquias no apoio social a vários níveis, de forma inteligente e criativa.

 

O fornecimento municipal da água deve permanecer público. Se a energia é fundamental, a água é imprescindível.

O trabalho aqui será essencialmente, como tem sido até agora: informar e sensibilizar para a eficiência na sua utilização.

 

Áreas industriais e comerciais favorecidas pela nova cultura do consumo: novas tecnologias; aplicações úteis para smartphone; laboratórios científicos; energias renováveis; reciclagem; construção e reabilitação com eficiência energética; materiais que permitem essa eficiência; cidades inteligentes; transportes públicos; restauração; segurança pública; protecção civil; saúde (especialmente a geriatria); a área social (apoio domiciliário e actividades culturais); projectos educativos; dinamização da economia da partilha e colaboração; o co-working; viagens; turismo, etc.

 

Áreas industriais e comerciais que serão desafiadas a mudar: a área financeira; fontes de energia convencional (petróleo; carvão, etc.) ; o controle privado da água potável; a agro-pecuária; a grande indústria agro-alimentar; construção convencional; indústria automóvel; os mega-espectáculos; segurança privada; telecomunicações, etc.

 

 

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 09:53








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